Há 15 anos, quando comecei a trabalhar com o corpo, a palavra “terapêutica” era meu norte. Antes mesmo de me aprofundar no tantra, eu já entendia que uma massagem poderia ser muito mais do que um luxo ou um simples relaxamento. Uma massagem terapêutica em BH, na minha visão, é aquela que busca a causa da dor, não apenas o alívio do sintoma. É um diálogo com o corpo do cliente.

 

Dos Nós Físicos aos Emocionais

 

O maior desafio sempre foi educar o cliente a perceber essa diferença. Muitos chegam dizendo: “Estou com uma dor aqui no ombro, pode só apertar aí?”. Meu erro, no início, era obedecer. Eu fazia uma massagem localizada, forte. O cliente sentia um alívio momentâneo, mas a dor voltava em dois dias. Por quê? Porque a dor no ombro talvez fosse causada por uma noite mal dormida, pelo estresse no trabalho, por uma má postura ou até por uma questão emocional. Aprendi que uma verdadeira massagem terapêutica precisa olhar o todo. Hoje, a sessão começa com uma conversa, uma avaliação. Eu pergunto sobre o trabalho, o sono, o nível de estresse. Eu observo a postura. E então, eu proponho um caminho.

Um cliente que ilustra bem isso foi um advogado que vivia com dor de cabeça. Ele já tinha ido a tudo que é médico. Na nossa avaliação, percebi uma tensão absurda no maxilar e no pescoço dele. Ele rangia os dentes à noite (bruxismo). A dor de cabeça era só a ponta do iceberg. Nosso trabalho terapêutico focou em soltar essa musculatura específica, com técnicas de liberação miofascial e massagem profunda. As dores de cabeça sumiram. Ele ficou impressionado. Não foi mágica, foi investigação. Foi massagem terapêutica.

O ambiente de trabalho aqui é focado na funcionalidade e no conforto. A maca é mais firme, para permitir uma pressão mais profunda. Tenho uma variedade de óleos e cremes, alguns com arnica, para potencializar o efeito anti-inflamatório. Às vezes, o som é de silêncio, para que tanto eu quanto o cliente possamos nos concentrar nas sensações do corpo. Uso ferramentas como ventosas ou pedras quentes quando sinto que podem auxiliar no processo. A sensação de um trabalho bem-feito é quando o cliente se levanta e diz: “Nossa, eu consigo virar meu pescoço!” ou “Sinto um espaço novo dentro de mim”.

Confesso que, às vezes, é frustrante. O cliente melhora, mas volta aos mesmos hábitos que causaram a dor em primeiro lugar. Meu trabalho também envolve orientação: exercícios de alongamento, dicas de ergonomia. Faço o meu melhor para dar autonomia a ele.

Acredito que toda boa massagem deveria ser terapêutica. Mesmo a tântrica, na sua essência, é uma forma de terapia corporal. O futuro da massagem terapêutica em BH, pra mim, está na integração. Trabalho em parceria com fisioterapeutas, osteopatas e educadores físicos. Acredito na soma de conhecimentos para o bem-estar do cliente. Se você sofre com dores recorrentes, tensão crônica ou sente que seu corpo está “travado”, talvez precise de mais do que um relaxamento. Você pode precisar de uma abordagem terapêutica. Vamos conversar e entender o que seu corpo está tentando dizer.