Ser uma massagista tântrica em BH não é bem uma profissão que você coloca como opção no vestibular, né? Pelo menos não era há 15 anos, quando eu comecei. Eu era uma jovem cheia de ideais, cursando fisioterapia, mas sentia que o toque que aprendia na faculdade era técnico demais, impessoal. Eu queria mais. Queria entender a conexão entre corpo, mente e emoção. Foi uma busca que me levou ao tantra, e confesso, minha família quase caiu pra trás. “Mas minha filha, que tipo de massagem é essa?”, dizia minha avó.
A Arte de Ouvir com a Pele
O maior desafio no início da carreira como massagista tântrica foi construir confiança. Não só do cliente em mim, mas minha em mim mesma. Lembro de uma das minhas primeiras clientes, uma advogada, super racional. Ela deitou na maca com os braços cruzados, a postura rígida. Cada toque meu parecia ricochetear numa armadura. Meu erro foi tentar “forçar” o relaxamento com mais pressão, mais técnica. Não funcionou. No meio da sessão, parei. Respirei fundo e apenas coloquei minhas mãos nos ombros dela, sem movimento. Fiquei ali, em silêncio, por uns cinco minutos. De repente, senti o corpo dela soltar um suspiro profundo e ela começou a chorar. Um choro contido, silencioso. Ali eu aprendi: a principal ferramenta de uma massagista tântrica não são as mãos, é a presença.
Os momentos marcantes são feitos de pequenos milagres. Um cliente que sofria de insônia crônica e dormiu pela primeira vez uma noite inteira após a sessão. Um casal que estava prestes a se separar e redescobriu a intimidade e o diálogo através das sessões para casais que eu conduzi. Não são “casos de sucesso”, são histórias humanas que eu tenho o privilégio de testemunhar.
O dia a dia de uma massagista tântrica em BH é um ritual. Chego antes, preparo a sala. A luz aqui é sempre indireta. No verão, uso óleos mais cítricos, como capim-limão, que trazem frescor. No inverno, o cheiro amadeirado do sândalo parece abraçar a gente. O processo de aquecer o óleo nas mãos, o contato com o tecido de algodão puro, a música que eu seleciono a dedo… tudo isso faz parte da terapia. A sensação de um trabalho bem-feito é quando o cliente se levanta devagar, com o olhar perdido, e diz: “Nossa, eu nem lembrava que meu corpo podia se sentir assim”.
Tenho uma admiração imensa por outras colegas de profissão aqui em BH. Cada massagista tântrica tem sua própria pegada, sua própria história. Não vejo como concorrência, mas como um ecossistema de cuidado. Minha pequena “confissão” é que, em dias muito cheios, a maior dificuldade é me “esvaziar” de um cliente para receber o próximo. É um exercício constante de meditação e presença pra não carregar a energia de um para o outro.
Meu negócio evoluiu de uma maca na minha casa para este espaço que hoje chamo de meu santuário. E o futuro? Eu quero continuar a ser simplesmente uma massagista tântrica. Não quero gerenciar um grande spa. Quero manter minhas mãos no trabalho, no contato humano. Quero continuar a oferecer esse toque que vai além da pele. Se é essa presença e esse cuidado que você busca, meu espaço está de portas abertas pra te receber.
